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Mulheres no Tiro – Rosane Budag

Rosane_Budag_CapaPara Rosane Budag, de 44 anos, o tiro surgiu como forma de escape. Há 15 anos, a atleta passou por um período difícil com o nascimento prematuro do seu segundo filho. Foi uma gravidez complicada, dois meses com o bebê na UTI e muito nervosismo. Para aliviar a tensão, resolveu seguir os passos do então marido, Richard Ewald, que praticava o tiro esportivo.

Em Santa Catarina, o tiro faz parte da tradição alemã. Todas cidades tem um Clube de Caça e Tiro, com estandes próprios para a prática deste esporte tão difundido no sul. No início, a busca por este esporte foi apenas um método de aliviar a tensão. Segundo ela, o tiro oferece uma oportunidade de esquecer o mundo à sua volta, de buscar o equilíbrio emocional, focar em um único objetivo e relaxar um pouco. Até então, nunca havia praticado tiro olímpico na vida, apenas acompanhava o ex- marido em competições. Em 6 meses, bateu o recorde brasileiro e não parou mais. Era gerente financeira em uma multinacional. Foi se dedicando cada vez mais ao tiro e, quando não pode mais conciliar as duas áreas, escolheu o esporte.

Nasceu em Blumenau, morou em Joinville e foi morar em Curitiba. Em 2016, foi a primeira brasileira a competir por uma medalha nos Jogos Olímpicos, na categoria Carabina de ar comprimido (indoor, a 10 metros do alvo e com munição de chumbinho) e na categoria Carabina de Três Posições (20 tiros deitado na posição de sniper, 20 tiros de joelhos e 20 tiros de pé – 50 metros com munição de .22). Antes das Olimpíadas, ganhou as provas no campeonato sul-americano no Chile, foi prata no Ibero Americano na Espanha e acumulava títulos no Brasil e América do Sul, o que fez muita diferença para a classificação para as Olimpíadas.

Para ela, campeonatos são um jogo de nervos. Nas finais olímpicas, por exemplo, os oito atletas finalistas que chegam numa final, estão totalmente preparados. Sagra-se vencedor aquele que, além de executar a técnica perfeita, supera o nervosismo, a pressão do público, o estresse da rotina a cada disparo. Ganha quem consegue manter o equilíbrio.

Os títulos conquistados também colaboraram para Rosane ser aprovada no Projeto Alto Rendimento da Marinha. Hoje, é contratada como atleta das Forças Armadas e no Tiro Olímpico no Time Brasil.

 

Investimento

Hoje, como militar, Rosane conta com alguns benefícios oferecidos pelas Forças Armadas. Isenção para a compra de armas, munição para treinamento, instalações para treino. Mas nem sempre foi assim. Como civil, no início da sua carreira no tiro, precisou comprar todo o equipamento, munição, viagens. Foram anos de investimento para conquistar os títulos que renderiam a posição na Marinha.

Durante seu tempo em Joinville, Rosane recebeu via clube que treinava, algum apoio da Fundação Municipal de esportes de Joinville, porém nenhum patrocínio de Santa Catarina. O único patrocínio que recebeu foi o de uma empresa da cidade, que foi cortado cerca de um ano depois. Em Curitiba, filiou-se ao clube Santa Mônica, onde treina até hoje, e recebe um pequeno apoio na forma de redução da mensalidade que paga ao clube. Segundo Budag, isto é consequência do preconceito, pois o tiro esportivo ainda é visto como algo ruim, apesar de ser um esporte olímpico como qualquer outro.

 

Treinamento

O treinamento da atleta não se resume ao tiro. Academia, exercícios aeróbicos para os batimentos cardíacos, ioga e meditação para controle da respiração e relaxamento, são algumas das formas de se preparar para as competições. No tiro, Rosane conta com um instrutor de peso. Devido à demissão do técnico nacional da seleção brasileira de carabina, atualmente é treinada pelo namorado, ninguém menos que o campeão olímpico Felipe Wu. Paulista, o atirador conheceu Rosane no ambiente do tiro, entre viagens e campeonatos da seleção brasileira.

 

Amor

O tiro tem grande participação na vida amorosa de Rosane. Entrou no esporte por causa do ex-marido e há alguns anos, namora um dos grandes nomes do Tiro Olímpico no país. Felipe Wu foi responsável por trazer a primeira medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Tiveram o privilégio de dividir o momento olímpico, na sua totalidade. Seja na Vila Olímpica ou nos estandes de tiro. Torceram e vibraram um pelo outro durante as provas. Para os dois, poder compartilhar a parte boa e a parte ruim do esporte, ajuda a aliviar a rotina pesada e a pressão. Eles afirmam que a paixão pelo esporte também deixa o casal mais unido, pois compreensão é essencial para entender a vida corrida e ausência de vida social de um atleta.

Por Portal do Tiro

Fonte: https://goo.gl/hTnrxc

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